Aspectos Econômicos – uso de madeira em estruturas no Brasil

Do total de1783,3 mil metros cúbicos de madeira consumidos por ano na construção civil brasileira, 33% são utilizados de forma não qualificada, como andaimes, formas, tapumes, escoras, aumentando o índice de desperdício provocado pelas técnicas construtivas tradicionais. A raiz da sub-utilização do material em estruturas pode estar historicamente ligada à cultura construtiva dos colonizadores portugueses, baseada em técnicas como a construção em pedra ou alvenaria. A madeira, então vista como material frágil, fora preterida em prol da terra como material estrutural na arquitetura colonial. Tendo os desenvolvimento da arquitetura brasileira dado-se sobre estas bases, a madeira nunca chegou a assumir papel estrutural na construção, com exceção do uso especializado nos telhados. Isto não impediu o desenvolvimento da indústria madeireira: O Brasil é auto-suficiente na produção de madeira e participa pesadamente do mercado internacional de madeira e celulose.

Com o desenvolvimento científico e o intercâmbio cultural internacional, o interesse da indústria da construção pela madeira como material tem crescido nos últimos anos. Em termos absolutos referentes à produção em m3, a madeira demanda menos energia para ser produzida que cimento e aço, materiais largamente utilizados. Além disso, as técnicas associadas à madeira carregam consigo características comuns às de materiais pré-fabricados destacando-se dentre elas a limpeza do canteiro de obras: os componentes preparados em uma indústria ou manufatura especializada são apenas “montados” no canteiro. Isso traz economia devido à redução dos espaços destinados ao armazenamento e transformação de materiais. Além disso a normatização das peças de madeira, diminui em muito desperdício de material associado a técnicas como o concreto armado, por exemplo, no qual a própria madeira é utilizada como forma e descartada em seguida.

Acima de tudo, em um âmbito maior, a madeira apresenta uma grande vantagem em relação a qualquer outra técnica construtiva tradicional: é baseada em um recurso renovável. Atualmente no Brasil cerca de 110 milhões de m3 de madeira são produzidos a partir de florestas plantadas, contribuindo assim com 70% do suprimento de madeira para o setor industrial, incluindo o da construção civil. Além do aspecto da renovabilidade, o uso de madeira na construção civil é também uma forma de conservação de carbono, o que auxilia na preservação de nosso ecosistema: a indústria tem preferência pela extração de espécimes maduras, que em seu ciclo normal morreriam e seriam decompostas, devolvendo sua parcela de gás carbônico à atmosfera, assim contribuindo com o efeito estufa e outras consequências indesejadas. Quando a madeira é processada, tornando-se componente estrutural em uma construção, é como se adquirisse uma sobre-vida, conservando em sua massa o carbono que a constitui.

A construção em madeira, mesmo quando amparada por uma estrutura industrial, exige uma dose de trabalho artesanal altamente especializado, o que torna a mão-de-obra profissional um dos componentes mais relevantes no custo da obra. Porém, do ponto de vista da economia nacional, a formação de mão-de-obra especializada necessária ao trabalho com estruturas de madeira representa a valorização da classe profissional dos construtores, contribuindo para o crescimento econômico do país e sua participação na economia internacional.

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