Aspectos históricos

Introdução

A madeira é um material de construção com pontos positivos quanto aos aspectos de conforto, plasticidade no projeto, rapidez de montagem e durabilidade. Aspectos da madeira, como cores, textura e aromas naturais, podem ser explorados nas diferentes aplicações das construções habitacionais.

Um país com tal extensão territorial como o Brasil, possuindo grandes reservas florestais, deveria ter na madeira um material com grande potencial de construção. Entretanto, o numero de construções em madeira é pequeno, devido a vários fatores que vão desde a forte tradição em construções de alvenaria, até a falta de valorização da madeira, como material de construção, nos cursos de arquitetura e engenharia.

Uso da madeira em diferentes civilizações

O uso da madeira como material de construção vem de longa data e sua aplicação variou de acordo com cada civilização; diferentes climas, características do solo e culturas determinaram variadas técnicas construtivas no uso da madeira.

No oriente, a arquitetura em madeira está associada ao conceito de uma construção leve, capaz de resistir aos terremotos. Datam do período de 960-1270, durante a dinastia Sung, os primeiros relatos das técnicas de construção em madeira; construtores chineses eram responsáveis por documentar, através de desenhos, as técnicas de construção em madeira. Os elementos construtivos, como vigas e pilares, possuíam ligações feitas por encaixes e as construções chinesas possuíam grande precisão geométrica.

As técnicas construtivas chinesas serviram de inspiração para os japoneses, que as aperfeiçoaram; é interessante notar a relação que os carpinteiros japoneses estabeleciam com a natureza de forma a respeitá-la; era necessário superar a dívida feita com a natureza e cumprir um serviço público, de modo que a durabilidade de uma construção devia levar em consideração a idade da árvore cortada para realizá-la.

A Noruega e a Finlândia foram países de destaque no que se refere à construção em madeira; nesses países as casas eram construídas com as toras empilhadas na posição horizontal; por se tratarem de países cuja temperatura média ao longo do ano é muito baixa era fundamental que fossem projetadas casas com um eficiente isolamento térmico, por esse motivo as paredes apresentavam um grande fator de massividade.

Houve um declínio no uso da madeira nas construções após a Revolução Industrial devido ao surgimento de novos materiais, como aço e concreto. No entanto, neste mesmo período, alguns países como Estados Unidos e Canadá, países esses que possuíam grandes reservas de madeira, passaram a utilizar a madeira para construção numa escala industrial.

Uma grande mudança no modo de construir com madeira surgiu no inicio do século XIX, quando se inicia a produção industrial de pregos e as serrarias passam a ser acionadas por máquinas a vapor. Em 1852 surgiu a proposta construtiva conhecida como Ballon Framing. As construções são construções leves, onde a estrutura da parede é uma estrutura portante com pequenos pilaretes inseridos a cada 60 cm. Esta técnica foi modificada no final dos anos 60 e inicio dos anos 70, quando jovens arquitetos americanos buscavam inovação tecnológica na construção de habitações unifamiliares de baixo custo, mas com alto valor arquitetônico. O arquiteto Franky Gehry foi considerado um dos percursores desta técnica, que recebe o nome de Platform construction. Neste processo não se exige a grande destreza dos carpinteiros de construções tradicionais.

Venice Beach House; California, 1986; Frank Gehry; técnica construtiva: Light Wood Framing

Em 1901, o Alemão Friedrich Otto Hetzer recebeu a primeira patente Suíça para este método de construção, a qual se referia a várias lâminas de madeira unidas entre si com o adesivo caseína. Em 1906, Hetzer patenteou na Alemanha a construção de peças curvas com madeira laminada, começando o desenvolvimento dos arcos em madeira. A Suíça foi o primeiro país onde o sistema de fabricação Hetzer teve amplo sucesso, existindo em 1920 mais de 200 prédios com vigas ou arcos de tipo Hetzer.

Após a segunda guerra mundial ocorreu processo de reflorestamento maciço, na Europa, e hoje, para países como Alemanha, Suíça, Áustria e Finlândia, a madeira de reflorestamento representa um papel econômico importante uma vez que esses países são produtores e exportadores de madeira. Foi apenas por volta de 1970 que houve uma retomada das construções em madeira, impulsionada por arquitetos como Thomas Herzog da Alemanha, Roland Schweitzer e Pierre Lajus na França.

Atualmente a Filnândia se destava na construção de casa residenciais em madeira, que representam 60% do total. Em países como França e Alemanha essa porcentagem é menor, respresentando 10% e 20% das construções totais em cada um desses países, respectivamente.

Em 2001 o governo francês e as principais associações de profissionais da construção civil assinaram um protocolo em que se comprometem a aumentar em 25% o emprego da madeira na indústria da construção civil até 2010. Passando a ocupar 12,5% do mercado da construção, de modo que a madeira contribuísse para reduzir em média 7 milhões de toneladas ao ano a presença de gás carbônico na atmosfera.

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