Aplicações atuais e tendências no uso da madeira

Atualmente, há tendêcias muito diversas quanto ao uso da madeira, com muita tecnologia sendo empregada em estudos, pesquisa e produção. Se nos centrarmos na evolução da humanidade, podemos praticamente acompanhá-la junto com desenvolvimento do uso da madeira – sua utilização  pode ser vista mesmo nas mais antigas cabanas e palafitas. Dada sua maleabilidade e fácil obtenção, foi um dos primeiros materiais a ser manuseado e transformado pelo ser humano, acompanhando fielmente a sucessão de civilizações, até os dias de hoje. Os usos da madeira podem ser os mais distintos, desde seu uso energético como lenha, passando por usos mais desenvolvidos como ferramentas, vara de pesca, arco e flechas, até ser utilizada em casas, barcos,  igrejas e até mesmo pontes.

A madeira pode ser utilizada inteira, maciça, sendo apenas esculpida, como em canoas ou mastros de barcos, entretanto o uso dessa técnica requer a poda de árvores muito grandes. Outro método de se trabalhar a madeira é utiliza-la com encaixes do tipo sambladura (macho e fêmea), técnica milenar utilizada em várias partes do mundo, sendo característica na arquitetura vernacular medieval de países nórdicos como Dinamarca, Inglaterra e Alemanha.

Por volta do século XIX começou se a utilizar a madeira laminada, isso é diversas pranchas (tábuas) unidas mecanicamente com parafusos e braçadeiras. Porém em 1906 foi desenvolvida a cola de caseína, derivada do leite. Foi ai que o mestre carpinteiro suiço Otto Hetzer teve a idéia de substituir as junções metálicas pela cola. O resultado foi formidável, um produto de alta resistência e leve, formado por tábuas de madeira unidas longitudinalmente e depois coladas umas sobre as outras.  Graças a cola obteve-se uma seção mais homogênea e sem a ocorrência de deslizamentos entre as lâminas. O  desenvolvimento seguinte desse sistema se deu após 1940, com o aparecimento das colas sintéticas. {ESTE PARÁGRAFO ESTA PRATICAMENTE REPETIDO NO POST DE ASPECTOS HISTÓRICOS DA MADEIRA LAMINADA}

No Brasil a madeira ainda funciona como um divisor de águas. Ou a madeira é utilizada em seus restos para confecção de barracões, a medida que o morador não sabe quanto tempo de fato vai poder ocupar o espaço em que esta morando, ou a madeira é usada maciçamente, no típico móvel colonial.  Ambiguamente, a madeira é constantemente empregada na construção civil, de forma temporária, na instalação do canteiro de obras, nos andaimes, nos escoramentos e nas fôrmas de concreto. De forma definitiva, é utilizada apenas nas esquadrias,  estruturas de cobertura, forros e pisos.

Enquanto a demanda por madeira aumentou em todo o mundo, houve uma redução das madeiras de alta qualidade e grande diâmetro. Isso, combinado com as preocupações ambientais e as mudanças nas práticas de gestão florestal, tornou o custo da madeira maciça cada vez mais alto e seu uso mais restrito. É nesse ponto que o uso da madeira laminada colada se mostra triunfante, pela facilidade de poder se utilizar de várias pequenas peças em vez de grandes troncos como exigem outras técnicas.

Quando se juntam finas placas de entalho de madeira, alternando-se as direções das fibras de cada placa, tem se a madeira compensada. As dobras são ligadas sob calor e pressão com colas fortes, geralmente com resina fenólica, o que faz da madeira compensada um tipo do material composto. Com instalação inicial no Sul do país, por volta dos anos 40 a indústria deste setor baseava-se nas florestas naturais de Araucária e atingindo níveis significativos de produção na década de 70. Em relação a madeira lisa, a madeira compensada é mais resistente ao cisalhamento, ao encolhimento e à torção.

Outra tendência é o uso de madeiras de reflorestamento como matéria prima para construção. A madeira de reflorestamento exige um redirecionamento dos plantios, enfocando manejos e ciclos de corte que permitam produção de madeira com melhores propriedades físicas e mecânicas. Dentre as várias espécies de pinho as mais comuns no Brasil são o Pinus Taeda, e o Pinus Elliots, ambos de origem do hemisfério norte. Têm grande possibilidade mecânica além da tração por prensagem e colagem.

Embora esses pinhos tenham eficiência comprovada, com rápido crescimento em relação a outras espécies de tal porte, e resistência bastante alta para seu grau de leveza, existem novas técnologias de compensados empregando outras espécies.

Fabricada em laminado de bambu orgânico, ela acompanha o desenvolvimento natural da criança.Exemplo disso é o Bambu que apesar de não ser uma madeira propriamente dita, pois pertence a familia das gramíneas, tem um peso extremamente pequeno e uma alta resistencia, principalmente em relação a tração, se comparada à maioria das madeiras. O bambo, utilizado desde os antigos por diversos povos  da américa e da ásia, tem seu uso revolucionado com a utilização do laminado de bambo. Inicialmente utilizado em objetos de design ou em acabamentos como pisos por exemplo, o laminado passou a ser utilizado contraplacado em tabuas de compensado. Esses compensados alternam folhas de diferentes espécies, criando assim compensados mistos que proporcionam leveza e alta resistência.

composição do bioplac produzido pela FibraOutra espécie que vem sendo largamente utilizada é a pupunha.

corte de uma pupunheira, cortada após o ciclo da extração da pupunha. A pupunha (Bactris gasipaes, Kunth) é o fruto da pupunheira, uma planta de porte magnífico da família Arecaceae (antiga Palmae), a qual pode crescer até 20 m e também é originária das florestas tropicais do continente americano. No Brasil, essa planta é uma solução viável para a industria palmiteira porque apresenta características agronômicas adequadas para a substituição com vantagens de outras palmeiras nativas como o açaí e a juçara.

Alem de alternativa contra o desmatamento de palmeiras, o cultivo da pupunheira se torna mais viável a medida que se utilizam seus residuos para produção outros produtos. Um deles é o compensado de pupunha. Trata-se de um compensado obtido a partir de ripas do estipe da palmeira, prensadas horizontalmente com adesivo de base vegetal. A parte aproveitável do estipe da pupunha para a confecção do compensado é a região periférica, considerada como material lenhoso de alta densidade e rigidez, alcançando um acabamento final de altíssima qualidade devido a sua superfície lisa, proporcionada pela sua textura fina.

mesa feita com laminado de pupunhaEste novo material recebeu, em 2005, um dos mais importantes prêmios de design do mundo – o iF Awards – na categoria de novos materiais. O compensado foi consagrado com o prêmio máximo: o troféu Gold. Além de ter sido o único representante da América Latina entre os premiados de sua categoria, foi a primeira vez, em mais de 51 anos de existência do prêmio, que uma instituição de ensino recebeu tal premiação.

O trabalho foi consagrado com este prêmio por representar uma excelente alternativa (não-madeireira) ao desmatamento das florestas nativas para obtenção de madeira. Ao criar um novo processo produtivo em torno da Pupunha, o material agrega valor a um resíduo da agroindústria e permite a ampliação do ciclo de vida da espécie. Com isso apresenta uma nova alternativa de renda para os pequenos produtores rurais, e estimula a produção do palmito de Pupunha no Brasil, ajudando a preservar outras espécies nativas de palmeiras, que vêm sofrendo com anos de exploração predatória.

Links:

http://www.fibradesign.net/fibra/

-http://www.abimci.com.br/

-http://www.guiadomarceneiro.com

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