Sustentabilidade / Preservação / Manutenção

problemática ambiental do uso da madeira na construção

Sob o recorte da produção industrial da madeira para a construção civil, a análise da sustentabilidade do uso do material necessariamente remete-se à grandes escalas de cultivo, extração, uso, resíduos e principalmente impactos ambientais gerados por essa modalidade construtiva.
Um dos grandes problemas ambientais brasileiros, senão o maior deles, é o crescente desmatamento das matas nativas da região norte do país. O ecossistema amazônico é responsável pelo abastecimento de água de grandes metrópoles brasileiras e a abundância e regularidade das chuvas são importantíssimas na geração de energia e colocam o Brasil entre os maiores produtores de alimentos do mundo. Porém, maior parte da produção madeireira da amazônia é consumida (IMAZON, 2005) pelas indústrias moveleiras e de construção civil brasileiras. “O desmatamento da Amazônia, além de colocar em risco sua sobrevivência, contribui para fazer do país o quarto maior emissor de gases de efeito estufa do planeta, já que 75% de nossas emissões são provenientes do uso do solo e do desmatamento de nossas florestas.”

A exploração da madeira, calculada em 80% ilegal (IPT, 2009), ainda abre vetores de desmatamento ao criar infraestrutura de acesso e facilitar a conversão do uso do seu solo para uso agropecuário, colocando em risco a própria viabilidade do setor e causando danos irreversíveis àquele ecossistema.
Como métodos de racionalizar todas as etapas do uso da madeira como material construtivo, visando menores impactos ambientais, economia e ainda a viabilidade a longo prazo da aplicação do material, alguns procedimentos são fundamentais:
_O manejo florestal, regulamentado por órgãos criados para controlar a extração e o reflorestamento, é assegurado, na aquisição do material, pelos títulos de certificação da madeira – tema a ser desenvolvido mais adiante;
_Também, como estratégia essencial para o uso racional do material é a adequação do projeto arquitetônico às especificações de mercado, de forma a evitar cortes desnecessários e desperdícios;
_O conhecimento das características físicas e comportamento estrutural específico das espécies que melhor se adequem às demandas da obra;
_Atenção à possibilidade de reuso das peças e às legislações de destinação de resíduos de madeira;
_A garantia da vida útil da madeira aplicada à construção também é importante ao otimizar o uso das mesmas peças evitando reposições. Para tal, as etapas de preservação preventivas e curativas merecem especial atenção.
certificação florestal
“A certificação florestal é uma ferramenta de mercado que atesta que uma determinada empresa ou comunidade maneja suas florestas de acordo com padrões (regras) pré-definidos e acordados entre os diversos setores da sociedade. Os sistemas de certificação são a melhor garantia de legalidade e utilização racional das florestas, porque requerem um cumprimento de normas que vão além da legalidade. Na prática, empresas de comunidade certificadas são monitoradas no mínimo a cada ano e sempre precisam apresentar desempenho superior ao do ano anterior.”
No Brasil o Sistema de Certificação Florestal Brasileiro do INMETRO (CER- FLOR) e o Sistema FSC, mais antigo no mundo e presente em mais de 80 países, certificam a produção da madeira com adequação ambiental. Existem também ONGs que auxiliam na orientação das empresas produtoras e consumidoras de madeira. Exemplo é o WWF Brasil com o programa Sistema de Implementação e Verificação Modular (SIM).

preservabilidade, manutenção

Preservação de madeiras é todo e qualquer procedimento ou conjunto de medidas que atribuem à madeira em uso maior resistência aos agentes de deterioração, proporcionando maior durabilidade e preservação de suas características físicas. A madeira está suscetível à ação deteriorante de agentes físicos, químicos e biológicos. Quando exposta ao tempo sofre detetrioração fotoquímica, é suscetível ao fogo e à ataques de ácidos, porém os maiores inimigos do material são os agentes biodeterioradores como mofos e manchas, fungos destruidores, insetos xilófagos e furadores marinhos que se alimentam de seu tecido vegetal.
O tratamento preservativo de madeiras é obrigatório, por lei, para peças ou estruturas de madeira, tais como dormentes, estacas, vigas, vigotas, pontes, pontilhões, postes, cruzetas, torres, moirões de cerca, escoras de minas e de taludes, ou quaisquer estruturas de madeira que sejam usadas em contato direto com o solo ou sob condições que contribuam para a diminuição de sua vida útil. São passíveis de tratamento preservativo as peças de madeira portadoras de alburno ou as que, sendo de puro cerne, apresentem alguma permeabilidade à penetração dos produtos preservativos em seus tecidos lenhosos, tornando-os tóxicos aos agentes biodeterioradores. Os principais métodos de tratamento podem ser conceitualmente divididos em métodos de impregnação superficial, métodos de impregnação por pressão reduzida e métodos de impregnação por pressão elevada.

Na revisão da norma brasileira NBR 7190/97 – Estruturas de Madeiras, a Associação Brasileira de Preservadores de Madeira – ABPM e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo – IPT propuseram a elaboração de um Sistema de Classes de Risco com o objetivo de classificar as diferentes fragilidades do material e os devidos procedimentos preservativos em suas diferentes aplicações na construção civil. Esta norma define seis classes de riscos biológicos que representam, nas condições brasileiras, seis diferentes situações de exposição da madeira e de produtos derivados da madeira, em serviço. O objetivo desta classificação é auxiliar na escolha das espécies botânicas, dos produtos preservativos e dos métodos de tratamento mais adequados a cada situação.

Os principais produtos preservantes são sempre tóxicos, fungicidas, inseticidas ou antimoluscos. Podem ser agrupados em três categorias: Oleosos: produtos essencialmente representados pelos derivados do alcatrão de hulha; Oleossolúveis: produtos contendo misturas complexas de agentes fungicidas e/ou inseticidas, a base de compostos de natureza orgânica e/ou organometálica e os Hidrossolúveis: produtos contendo misturas mais ou menos complexas de sais metálicos.
-Alta toxidez à organismos xilófagos
-Alto grau de retenção ao tecido lenhoso
-Alta difusibilidade através do tecido lenhoso
-Estabilidade
-Incorrosibilidade a metais e própria madeira
medidas preventivas
As medidas de prevenção devem ser discutidas e adotadas na etapa de elaboração dos projetos, sendo que o uso racional da madeira como um material de engenharia no ambiente construído, segundo o IPT, pressupõe:
-Conhecimento do nível de desempenho necessário para o componente ou estrutura de madeira, tais como vida útil, responsabilidade estrutural, garantias comerciais e legais, entre outras;
-Escolha da espécie de madeira com base nas propriedades intrínsecas de durabilidade natural e tratabilidade;
-Definição das condições de exposição (uso) da madeira e dos possíveis agentes biodeterioradores presentes (fungos e insetos xilófagos), ou seja, definição do risco biológico a que a madeira será submetida;
-Adoção do método de tratamento e produto preservativo de madeira (inseticida e/ ou fungicida) em função do risco biológico para aumentar a durabilidade da madeira;
-Implementação de controle de qualidade de toda a madeira tratada com produtos preservativos para garantir os principais parâmetros de tratamento: penetração e a retenção do preservativo absorvido no processo de tratamento.
-Fatores como manuseio das peças tratadas, práticas durante a construção, integridade de acabamentos ou compatibilidade do produto preservativo com o acabamento, podem afetar o desempenho da madeira preservada.

referências

DEMARZO, Mauro Augusto e SGAI, Rosemary Diogo – Preservação de madeiras in portal REMADE.
ZENID, J. E. Madeira: uso sutentável na construção civil, 2. ed. São Paulo. Instituto de Pesquisas Tecnológicas: SVMA, 2009 (Publicação IPT, 3010)
CUNHA, Viviane s. Madeira e sustentabilidade, como anda essa relação? (www.vitruvius.com.br -consulta em 14 de maio de 2011)
BRAZOLIN, S.; Preservação de Madeiras – SIstemas de classes de risco
portais
http://www.amazonia.org.br/
http://www.wwf.org.br/

Na revisão da norma brasileira NBR 7190/97 – Estruturas de Madeiras, a Associação Brasileira de Preservadores de Madeira – ABPM e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo – IPT propuseram a elaboração de um Sistema de Classes de Risco com o objetivo de classificar as diferentes fragilidades do material e os devidos procedimentos preservativos em suas diferentes aplicações na construção civil. Esta norma define seis classes de riscos biológicos que representam, nas condições brasileiras, seis diferentes situações de exposição da madeira e de produtos derivados da madeira, em serviço. O objetivo desta classificação é auxiliar na escolha das espécies botânicas, dos produtos preservativos e dos métodos de tratamento mais adequados a cada situação.

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